Você sabe o que , afinal, é Dialética ? por acaso lendo um livro de lógica descobri esta excelente explicação. Sem dúvida precisamos de dialética em nosso dia-a-dia. Como programador acredito que este conceito deveria ser um lema nas empresas de informática, ao final da leitura entenderam o porque.
“Partindo do pressuposto de que nenhuma afirmação é indiscutível, a dialética se apresenta como alternativa ao método de raciocionar proposto pela lógica formal, que funda a mentalidade científica ocidental.
Um dos primeiros aspectos a serem considerados é o que concerne à distinção a ser feita entre lógica e dialética.Relativo a isto, é necessário diferenciar regra e lei, para se compreender a distinção entre o que se considera como lógica e o que se considera como dialética. Regra é uma indicação de como se deve proceder em determinado processo, enquanto Lei é uma indicação de o que é e deverá ser um processo.
Neste sentido, entende-se dialética como um conjunto de regras que norteiam uma ação real ou mental, o que a constitui em método de análise eficiente. Ao passo que lógica é o que se baseia em conjunto de leis, ue pressupõem na sua constituição a regularidade, a constância, a universalidade, a orderm…
Outro aspecto a ser lembrado é relativo ao contexto histórico cultural condicionante em que se desenvolvem as diversas mentalidades e mundividências. O método dedutivo teve seu momento forte desde a Antiguidade até o final da Idade Média, porque respondia a exigências político-culturais-econômicas do ideal aristocrático: ao aristocrata e ao senhor cabem estabelecer as leis que são de natureza racional(de cima para baixo, ou , em outros termos, do geral para o particular).
A indução, por sua vez, se inscreve numa exigência de autonomia individual que se identifica com o ideal burguês-mercantilista-expansionista, nascente a partir da Idade Moderna, garantida pela revolução científica.
No interstício dos ideais anteriores em conflito, o terreno torna-se fértil para novas exigências: ciências voltadas para o social, que determinem as relações humanas e não somente as relações teológicas ou físicas, abrindo assim o caminho ao “novo” método.
Novo, entre aspas, porque a história do método remonta à antiguidade grega, com Zenão de Eléia, tendo inicialmente um sentido negativo, porque se buscava refutar as afirmações apresentadas por um adversário, como falsas.
Etimologicamente, dialética provém do prefixo dia de lógos, donde, discussão,arte de defender ou rebater, arte de disputar. Este sentido etimólogico supõe o confronto de adversários ou posições antagônicas, o que evidencia um duplo valor:torna claros pontos de vista contraditórios sobre um assunte e, como resultado, dá aos adversários uma compreensão mais perfeita da verdade implícita em ambas as partes.
Este duplo valor é assimilado pela filosofia hegeliana, que busca construir uma lógica própria para embasá-la, uma vez que a dialética sempre produz uma idéia mais desenvolvida, mais rica no seu conteúdo. Estabelecendo um movimento triádico para sua lógica, Hegel interpreta a História como desdobramento da idéia, construindo deste modo toda a sua filosofia.
O movimento triádico é o modo pelo qual a idéia se desenvolve.Em um primeiro instante, o movimento dialético é a mera enunciação de uma verdade contida na idéia original, denominada de afirmação. Assim como tudo se apresenta com duplo aspecto, também a afirmação encerra em si uma afirmação oposta ou contrária, denominada negação.
Negação como posição contrária ou oposição e não mera destruição da afirmação anterior, uma afirmação contrária à inicial.
Do embate destas afirmações contrárias, afirmação e negação, dá-se o terceiro momento, denominado de negação da negação: é o surgimento da idéia mais desenvolvida, mais rica, mais plena de conteúdo, como nova afirmação, que reúne o conteúdo de verdade dos momentos anteriores.
Este desenrolar dialético da idéia, suscetível de processo contínuo, é identificado como o movimento dialético de tese(primeiro momento ou afirmação),antítese(segundo momento ou negação da afirmação), e síntese(terceiro momento ou negação da negação).
Processo que jamais se encerra definitivamente, porque a síntese é sempre parcialmente verdadeira, porque aberta a futura negação. Em outros termos, a síntese passa a ser uma nova tese, que terá sua antítese e consequente produção de idéias mais desenvolvidas.
Este modo de raciocinar traz consigo a relatividade de toda e qualquer idéia ou doutrina, porque seu desenvolvimento é em esperial, de onde se pode entender por que nenhuma afirmação é indiscutível e inteiramente verdadeira ou falsa. Uma relação é verdadeira pelo que ela tem de relativo e é falsa pelo que contém de absoluto.
Esta relatividade implica a integração recíproca de toda a realidade, em contínua interação, de tal forma que o universo comporta um processo de evolução constante, o que leva a idéia a progredir e a desenvolver-se, através de novas sínteses. Este é o princípio da realidade, captado pela razão, segundo o qual o real é racional e o racional é real.”(livro: Aprendendo Lógica).
para refletir…